terça-feira, 15 de setembro de 2009

Escola de bons filmes

Uma coisa é quase unânime na comunidade cinematográfica: a Pixar domina a gramática do bom Cinema. Desde o primeiro "Toy Story" e dos primeiros curtas-metragem, seus filmes são carregados de uma aura cheia de vida e intensidade, que elevou as animações para um patamar de qualidade quase próprio do estúdio. Poucos são os que encontram, dentro da cinematografia de sua filmografia, uma só nota destoante. Em outras palavras, a Pixar é para a animação, quase o que a Globo é para a TV (sem entrar em juízos de valores e moral).

"Wall-E" ("Wall-E", 2008), penúltima animação da empresa, é a prova viva do estágio alcançado pelo estúdio. O longa poderia ser facilmente considerado o "2001: Uma Odisséia no Espaço" das animações. Há coisas alí que definitivamente, só adultos (e não todos) serão capaz de perceber. A história de amor entre um robôzinho que vive sozinho em uma Terra inabitável no futuro, recolhendo lixo, e uma sonda robô, é também uma reflexão sobre os próprios seres humanos.

Aliás, características humanas a outros seres sempre foi um dos grandes desafios de todo animador. No filme dirigido por Andrew Stanton, não são só os olhos que criam uma identiicação entre uma máquina e o homem; são as próprias atitudes. O Wall E (como o robô é chamado) tem atitudes essencialmente nobres; nobreza essa até um tanto rara entre os próprios homens. Sua fragilidade e ao mesmo tempo, generosidade, é um ótimo contraponto ao que foi perdido pela humanidade, não só do filme, que se passa daqui a alguns séculos, mas também da vida real; do hoje.

Um detalhe que não pode passar despercebido é o cuidado meticuloso que a produção da obra tomou, ao cercar o filme não só com referências cinematográficas e filosóficas, mas também técnicas. A fotografia é deslumbrante, e o trabalho de som, impecável. O mestre Ben Burtt, nada mais nada menos que o designer de som de "Star Wars", assina também o design sonoro do filme, além de também supervisão de edição de som, designer das vozes das personagens e mixagem (junto com alguns outros, entre eles, Michael Semanick, responsável pela mixagem do brasileiro "O Homem do Ano"). Ainda por cima, a voz do Wall-E é de Burtt.

Indicado à 6 estatuetas do OSCAR, vencendo a de melhor animação, "Wall-E" colecionou prêmios. Segundo o IMDB, foram 44 ao todo, mais 37 indicações - coisa de obra prima. Não saberia dizer ao certo, se o filme da Pixar, de fato, é uma. Para mim, seu grande papel já foi feito: ele é uma previsão do futuro. E é claro, uma conquista cinematográfica de primeiríssima linha.


 

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